A telexfree vai devolver o dinheiro dos investidores? Era pirâmide?

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Telexfree e o golpe da pirâmide. Entenda algumas coisas com detalhes sem mimimi. Chegamos à conclusão de que ela não era sustentável, motivo pelo qual não a recomendamos. Contudo, afirmamos não se tratar de um golpe ou fraude, mas de um programa aos moldes de um MMN.

A telexfree vai devolver o dinheiro dos investidores?

Isso gerou uma discussão acalorada entre divulgadores e não divulgadores, defensores e críticos, com mais de 2000 comentários. E agora, depois que a empresa é alvo de investigação de órgãos oficiais, manchetes em vários jornais e blogs sobre a acusação de pirâmide financeira, achamos de bom tom fazer um novo artigo.

No dia 30/Junho/2013 fiz um artigo no Blog Marketing Online com uma matéria sobre uma empresa que, naquela altura, era um fenômeno em recrutamento no marketing multinível:  a Telexfree.

MPORTANTE: leia também o artigo que originou a discussão Veja as últimas notícias telexfree

Afinal, a Telexfree era uma pirâmide?

Agora virou moda associar todo tipo de sistema que trabalha com marketing de rede a uma pirâmide financeira, como se todas as empresas desse nicho estivessem no mesmo balaio. Isso é prejudicial e afeta o julgamento correto sobre um determinado plano de marketing.

A pirâmide financeira tradicional consiste na movimentação exclusiva de dinheiro, isto é, sem produto ou serviço, formando-se uma cadeia abaixo em níveis exponenciais, em que essas pessoas inevitavelmente vão ganhar sempre menos dos que aqui estão acima, pois há uma dependência nociva entre o topo e a base.

Então, analisando detalhadamente o plano de marketing da Telexfree na época poderia ver que era possível um divulgador  B ganhar mais dinheiro que um divulgador A, nessa hipótese B foi convidado por A para entrar no negócio. Isto é, de acordo com o desempenho da rede uma pessoa que entrou posteriormente poderia ter uma remuneração maior que a do seu patrocinador.

Em relação ao produto, a empresa comercializava o VOIP, um sistema de telefonia que utiliza a internet para falar ilimitado. Quando o divulgador se cadastrava, ele tinha a opção de comprar 10 ou 50 pacotes VOIP, a um custo de US$ 289 ou US$ 1,375 na época. Com isso, ele poderia revender o produto que era + – US$ 49,90, além de ter a “possibilidade” de vender as linhas VOIP por meio de anúncios.

O fato de haver um produto não garante que não seja um esquema de pirâmide financeira, e também o fato de uma pessoa que entrou depois ganhar mais do que uma pessoa que entrou antes também não é uma prova de que não seja um esquema de pirâmide financeira.

Um produto pode ser usado apenas como fachada dentro de um esquema de pirâmide financeira e no caso da TelexFree, a remuneração dos participantes não tinha qualquer ligação com a venda dos produtos e uma pessoa que entra depois e recruta muitas pessoas também pode ganhar mais dinheiro do que uma pessoa que entrou antes em um esquema de pirâmide.

Se existia a possibilidade de quem está abaixo ganhar mais que um divulgador acima e se existia produtos sendo comercializados, como determinar que era é uma pirâmide?

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Os órgãos oficiais e a investigação

Perceba que a definição não é tão simples assim e talvez seja justamente esse dilema pelo qual as autoridades governamentais estava passando semanas/meses e depois que a Telexfree virou notícia nos principais portais de informações como G1, Folha, Estadão, iG, Acerto de Contas, além de textos efusivos do prestigiado jornalista Luis Nassif a coisa toda tomou um novo rumo.

Para início, a lei 1.521 que trata do assunto é de 1951! Isso mostra o quanto o País não está preparado juridicamente para regulamentar, fiscalizar e monitorar práticas de pirâmide financeira. E no texto só é citado superficialmente no  inciso IX, no artigo 2°:

Art. 1°. Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes e as contravenções contra a economia popular. Esta Lei regulará o seu julgamento.

Art. 2°. São crimes desta natureza:

IX – obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes).

A própria Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda (SEAE/MF) citou este artigo em seu pronunciamento oficial, “sugerindo” que as atividades fossem mais afins a uma pirâmide financeira do que a captação irregular de poupança popular, conforme o item 5 da nota de esclarecimento:

“A oferta de ganhos altos e rápidos proporcionados principalmente pelo recrutamento de novos entrantes para a rede, o pagamento de comissões excessivas, acima das receitas advindas de vendas de bens reais e a não sustentabilidade do modelo de negócio desenvolvido pela organização sugerem um esquema de pirâmide financeira, o que é crime contra a economia popular, tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51″.

E isso foi bem ao encontro do que eu falava na época, justamente estes tópicos: “pagamento de comissões excessivas”, “ganhos altos e rápidos” e a “não sustentabilidade do modelo de negócio”. Será que alguém do executivo leu a minha mente? (rsrs). Pelo menos a promotora do Acre sim.

O fato é que a nota do SEAE/MF, de certa forma, favoreceu à empresa, pois na época o Ministério da Fazenda lavou suas mãos, ao melhor estilo Pôncio Pilatos, e passou a batata quente para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que poderia ou não enquadrar a empresa como pirâmide financeira, o que não seria tarefa fácil diante de uma legislação que não aborda de forma clara o assunto.

A Telexfree e o marketing multinível

Embora na época tinha muitas controvérsias, não se poderia dizer 100% que estava totalmente fora do escopo do multinível. Ela tinha muitas características necessárias para que fosse considerada como tal. Tem o seu produto, ainda que seja um mero coadjuvante em seu plano de marketing, tem os níveis de bonificação, tem um valor de adesão no qual o divulgador comprava as linhas VOIP (não havia no início).

Isso é um ponto pacífico e pensar fora desse contexto é embrenhar-se numa discussão vazia. O que merece realmente comentário é por que uma empresa desse porte, com milhares de divulgadores, ainda não era associada da ABEVD (Associação Brasileira de Vendas Diretas), uma associação conceituada, membro da World Federation of Directing Selling Associations?

Talvez por esse trecho do código de ética da ABEVD:

“A empresa e o vendedor direto não devem se valer de depoimento, testemunho ou declaração de apoio que não seja autorizado ou que seja falso, obsoleto ou inaplicável ou, ainda, que não esteja relacionado com a oferta, ou seja utilizado de modo a induzir o consumidor a erro”.

Atenção não existe nenhuma obrigação ou lei para que seja obrigatório ter registro nos sites citados acima, porém gera uma certa credibilidade para empresa.

Conforme denunciado pela promotoria pública do Mato Grosso, o vídeo de um ambulante que comprou uma Ferrari apenas como divulgador, utilizado pela empresa e por outros divulgadores como exemplo de sucesso do negócio, não condiz com a verdade, pois o veículo estava alienado a outra pessoa e foi transferido às pressas, a toque de caixa, durante o inquérito civil, conforme publicação do portal G1.

Sim e infelizmente tinha muitas mentiras como acontece em várias empresas.

Os modelos de anúncios

O grande chamariz da empresa era a remuneração pela postagem de anúncios, que poderia ajudar a divulgar o seu nome e, claro, ser pontuada no ranqueamento de sites pelo número de acessos. Na época, a empresa ocupava a posição 47 no Brasil, no ranking do site Alexa.

O sistema de anúncios, se bem utilizado, pode gerar um bom tráfego sim e ser muito benéfico. No entanto, o grande problema do plano de negócios da Telexfree não era o anúncio em si, mas o valor que a empresa remunerava pela postagem destes anúncios.

Ela paga em linhas VOIP no valor de US$ 49.90 pela semana de postagem de anúncios por Adcentral e caso o divulgador não tivesse venda, ela recompraria por US$ 20. Em suma, o divulgador não vai dar a mínima para o VOIP e vai esperar o prazo para fazer o processo de recompra e poder ganhar os US$ 20, ele não vai se interessar em ficar vendendo o VOIP, ele quer é dinheiro no bolso.

Tomemos como exemplo uma pessoa que investiu US$ 1,375 em 5 adcentrals. Sendo o contrato anual, façamos as contas: US$ 100 x 52 semanas = US$ 5,200 – US$ 1,375 = US$ 3,825, um lucro de quase 280% ano ano.  Se você achou muito, imagine um Team Builder que investia US$ 15,125 ele poderia receber US$ 1,100 por semana somente em anúncios.

A insustentabilidade

Em minha opinião humilde e pessoal, era isto que fazia o plano de marketing não ser sustentável: a remuneração astronômica dos anúncios que não gerava receitas em vendas para a empresa. Eu até me arriscaria a dizer que o plano de marketing seria sustentável se a empresa não pagasse para os divulgadores postarem anúncios. E ela mesmo sabe disso, tanto que se preveniu registrando a cláusula 13.2 em seu contrato:

“A Telexfree, por sua exclusiva análise, segundo critérios de conveniência e oportunidade, pode recomprar dos divulgadores contas 99Telexfree, não se garantindo, porém, o “valor de face” do produto, negociando o valor em razão do volume, da demanda e/ou de seus estoques”.

Isso significava que ela não poderia comprar o pacote VOIP ou comprar por um preço que ela decidir que na época era US$ 20 (então, veja que a cláusula já era utilizada pela empresa), mas amanhã poderia ser US$ 15, depois US$ 10… E quando chegasse a esse ponto, sobraria muitos VOIPs nos estoques dos divulgadores, sem valor de mercado, a títulos podres, como as famigeradas LPs da Mister Colibri.

E ainda ficava a dúvida: se o contrato é anual e ao fim dele o divulgador poderia receber pelas postagens de anúncios, faça chuva ou faça sol, por que cobrar uma adesão? Ou seja, quando o divulgador tinha uma adcentral family ele investia um valor e estaria recuperando depois de 3,5 meses, certo? Então, se ele ganharia de qualquer jeito os US$ 3,825, por que a empresa não fechava um contrato de 8,5 meses sem cobrar nada?

A telexfree vai devolver o dinheiro dos investidores? Essa resposta vai ficar em branco por muitos anos.

Telexcommerce, Telexbid e publicidade

São 3 incógnitas, pois diante da magnitude das comissões que era paga aos divulgadores era preciso que a movimentação fosse intensa e resulta-se em uma lucratividade considerável à empresa, mas poderia sim ser peças importantes para gerar receita e, assim, o fluxo de caixa não seria tão penalizado.

Em relação à publicidade e muitos dos  distribuidores costumava comparar a grandes portais de conteúdo como globo.com e uol e outros, isso realmente é uma explicação infundada porque os preços dos anúncios destes grandes sites são mais altos devidos ao acesso e também ao conteúdo, coisa que o website da empresa, na época não tinha.

O Telexcommerce parecia mais perto de uma realidade positiva ao caixa da empresa, visto que as compras na internet tinha uma característica atrativa aos olhos do consumidor. E quanto ao Telexbid não tinha nenhuma notícia oficial ao público sobre o seu conceito e realização. Tinha que aguardar e nunca se teve uma resposta.

4 palavras-chave: investimento, risco, dinheiro fácil e dinheiro rápido

A empresa escreveu um comunicado em sua página no Facebook sobre os excessos na divulgação de alguns divulgadores que estavam utilizando perfis com a marca nas redes sociais, websites não autorizados e lançando mão de argumentos de dinheiro rápido, conforme transcrição abaixo:

“A razão de tal determinação fundamenta-se nos excessos que estão sendo praticados como promessas de lucros rápidos, ênfase no cadastramento e não no serviço VoIP, divulgadores intitulando-se diretores. Tal abordagem está provocando elevados prejuízos em termos de imagem e credibilidade. Ou seja: o resultado, embora pareça positivo a curto prazo, está sendo extremamente negativo, causando elevados danos ao sistema de marketing multinível como um todo e, obviamente, à própria TelexFREE”.

Ora, precisou de um inquérito civil e aparecer na mídia como suposto esquema de pirâmide para cair a ficha e perceber que os divulgadores estavam fazendo isso? Bastava entrar no Google e digitar “telexfree” para aparecer vários sites de divulgadores incitando o lucro fácil e rápido, bastava entrar no youtube e digitar “telexfree”, vídeos e mais vídeos dessa natureza, ninguém dava a mínima para o VOIP.

E mais poderia acessar vários artigos, os próprios divulgadores sinceros dizia se tratar de um investimento de risco, aliás, investimento e risco andava de mãos dadas quando se falava em Telexfree. Se teve prejuízo em termos de imagem e credibilidade a culpa foi dos divulgadores e também da empresa que foi conveniente com os abusos.

Ademais, o plano de marketing tinha uma essência voltada para a propagação do lucro fácil e rápido e o produto fazia papel de figuração, então o divulgador não criou coisas, ele era apenas um reflexo da empresa.

Se procurar no Youtube ainda existem vários vídeos sobre a empresa e muitos do Carlos Costa que era o homem chave. Em alguns dos seus vídeos ficava ainda mais confuso com algumas informações bem estranhas como:

Por exemplo, o Adv dizia ao MP que a TF IMPORTA os produtos, e o Carlos Costa afirmava em vídeo que todo serviço era prestado nos USA, o que seria então? uma EXPORTAÇÃO de clientes?

Quando foi mostrado que a empresa não tinha forma legal para VENDER nada, o Carlos Costa, mais uma vez um vídeo afirmando que a TELEXFRE ou a YMPACTUS não vendia nada, mas toda explicação da sustentabilidade falada na venda de voips, e no mesmo vídeo ele falava em venda, revenda, recompra e por aí vai.

Outro aspecto muito interessante era a falta de contratos com as empresas brasileiras de telefonia, que por norma da ANATEL tem que existir a fim de que o voip possa fazer ligações para números de telefone de outras operadoras, sejam fixas ou móveis – Detalhe que esse registro, taxaria a empresa com um ICMS de 25% e as tarifas de interconexão.

Outra contradição, era que o Voip estava sendo largamente usado por empresas e escritórios, o que é proibido por contrato, sendo seu uso era apenas permitido por pessoas físicas e o uso comercial era proibido.

A megalomania

Uma coisa que pude perceber nos comentários de muitos divulgadores na época era a necessidade que o divulgador e a empresa tinha de demonstrar números e imagens grandiosas, para começo de conversa o case de sucesso da empresa é um ambulante que comprou uma Ferrari em poucos meses de trabalho, só isso já despertava muita atenção de muitas pessoas que tinha interesse em ficar ricos.

As cifras, milhares e milhares de dólares caindo nas contas como se ganhar dinheiro fosse realmente fácil, rápido e acessível a qualquer um que tivesse um capital, daí era só sacar e pronto. Até hoje existem inúmeros vídeos de divulgadores no youtube que fazia questão de dizer que era um investimento e que dava mais de 250% de rendimentos anuais. Quem não deseja algo assim?

Mostra status e dinheiro era uma estratégia utilizada como forma de atrair mais e mais pessoas para se cadastrarem, que até certo ponto é válida sim, mas que na empresa ganhava um status de grandeza muito acima dos padrões reais. Não ficaria espantado se tivesse algum “depoimento fantástico” de um divulgador com um helicóptero ou coisa parecida.

Beber da fonte enquanto tiver água

Outra constatação é o fato de que muitos divulgadores tinha assumido o risco, até usava o argumento de que todo negócio tem risco, a vida é um risco, blá-blá-blá. E chegava afirmar o que era importante era recuperar o investimento, sair no lucro, num claro desdém a quem chegou depois e não poderia ter a mesma sorte.

O argumento é aproveitar a oportunidade, enquanto o negócio está “bombando”, enquanto tiver água na fonte para beber e assim ganhar o máximo de dinheiro possível. E aí os líderes arrastando os seus seguidores fiéis, pois o tal negócio era o que estava dando dinheiro fácil e rápido no momento e caso ele tivesse qualquer problema apareceria outro e assim vão pulando de galho em galho.

O grande problema desses líderes é que os negócios que eles recomendam não duram muito, pois eles são inteligentes e compreendem a teoria da cauda longa, no qual o negócio cresce exponencialmente, tem uma estagnação e e a consequente queda. Mas até a ruína total, eles já saíram do negócio, cadastraram-se em outro que será a nova  ”revolução no marketing multinível” e trazem consigo sua legião de empreendedores.

A realidade do VOIP

A empresa anunciou na época que em janeiro de 2013 os minutos utilizados do seu produto VOIP chegaria aproximadamente 1.350.000, isso quer dizer o tempo efetivamente gasto utilizando-se o produto, seja para ligação para telefone fixo ou celular.

Era um número que poderia significar muito ou pouco, afinal a empresa não divulgava o número real de clientes que não são divulgadores e também não divulga quantas linhas VOIP recompradas pela empresa.

Aliás, o sr. Carlos Costa mostrou-se bem escorregadio em entrevista ao portal iG na época em relação a esses dados, conforme esclarecimento do próprio portal de notícias citado:

Na entrevista, o diretor de marketing não deixa claro o quanto do faturamento da empresa vem da venda efetiva dos pacotes e quanto vem do ingresso pago de novos representantes na rede de divulgação. Costa também se recusa a informar qual é a empresa de telefonia contratada para operar o sistema VoIP – outro dos questionamentos da Seae. “Isso é confidencial”.

Em vídeos para os divulgadores, ele também dizia algumas incongruências em relação à nota técnica do SEAE/MF, rebatendo sem muitos argumentos o documento deste órgão oficial e afirmava que não existia nenhuma empresa de marketing multinível mais sustentável que a dele.

Portanto, analisar o desenvolvimento de vendas do VOIP era uma tarefa difícil e exigia outros dados que, infelizmente, a empresa não fornecia. Informalmente, na época ouvi muitos comentários elogiosos do pacote VOIP e muitos comentários negativos. Isso é super normal em qualquer produto ou empresa quanto aos produtos.

A Telexfree poderia durar muito tempo?

Bem, eu trabalho com negócios online e se tem algo que me deixa muito feliz é quando ouço depoimentos de pessoas que estão ganhando dinheiro na internet, utilizando-se do empreendedorismo digital para gerar renda, seja por meio do marketing multinível, blogs, programas de afiliados ou no desenvolvimento de produtos digitais próprios.

Quando um empreendedor compreende o mecanismo de trabalho online e o faz de maneira profissional é um grande avanço em relação às amarras de um emprego tradicional, à necessidade capital de um patrão e à retrograda cultura da pobreza de espírito que assola nosso País há séculos.

Particularmente, não fazia coro aos que tinha em mente o desmoronamento da Telexfree. Quando fiz o artigo sobre a empresa em outro Blog, o foco era para os próprios divulgadores, pois ninguém mais interessado que a empresa prospere do que aqueles que assinaram o contrato e investiram dinheiro. Muitos entenderam o recado e muitos também chamando de inimigo público n° 1 e logo chega alguns dizendo que você é um fracassado mesmo sem conhecer você pessoalmente.

O que faltava para empresa era se ajustar para tornar-se sustentável e evitar transtornos para milhares de pessoas que acreditaram no potencial da empresa.

A verdade sobre o dinheiro no marketing multinível

Uma verdade deve ser dita para determinar de onde vem o dinheiro. Nenhum marketing multinível paga uma quantia considerável a seus membros referente as vendas, isso é um fato que engloba qualquer empresa, seja Telexfree, Amway, Herbalife, Polishop, Up Essência, Belcorp, etc.

Se você vir alguém ganhando muito dinheiro no MMN, saiba que ele tem muitas pessoas em sua rede. E o trabalho de liderança que ele exerce em relação à sua rede é o que vai determinar a quantia que ele vai receber.

Mas isso não significa que não há vendas, elas existem sim, mas a maior parte do dinheiro gerado vai para empresa, e a parte menor irá para os níveis da rede em comissões e isso é interessante porque a torna sustentável, já que entra dinheiro no caixa da empresa. E por isso um marketing multinível focado na sustentabilidade vai vincular os ganhos à comercialização de produtos.

Dessa forma, podemos resumir em dois parâmetros. 1) valores a curto prazo: origem em comissão pelo pagamento da adesão de um novo membro, até para incentivar a formação de rede; valores a longo prazo: bonificação pelas vendas do próprio associado e da rede criada por ele.

E o problema da Telexfree era a falta de vinculação ao produto, aliás, na época teve uma mudança no binário no qual era preciso ter pelo menos um cliente ativo no pacote VOIP, o que era um avanço, tímido, mas um avanço. Porém isso somente era válido para o binário, a remuneração por anúncios continuava intacta, isso quer dizer que era possível ganhar muito dinheiro sem vender um único produto VOIP sequer, dependendo do quanto tivesse investido.

E o que aconteceu?

  • A SEAE/MF bateu o martelo e registrou oficialmente que a empresa não fazia captação antecipada de poupança popular, eximindo-se de qualquer responsabilidade com relação à sua alçada para uma eventual investigação.
  • O MPF disse que a competência era estadual e precisaria de um aval técnico da CVM para verificar se tinha indícios de investimento coletivo, o que possibilitaria sua inserção nas investigações. A CVM disse que se limitava a valores mobiliários e que não constatou fatores que desse legitimidade no âmbito de sua competência.
  • Cogitou-se a prática de estelionato, o que levaria a uma ação da Polícia Civil. Não era preciso ser um expert para saber que este crime precisava de uma vítima e, até aquele momento ainda não tinha sido lesado, após foi outra história.
  • A empresa também na época não poderia ser enquadrada em algum crime ao fisco, já que, fazia o recolhimento do Imposto de Renda aos cofres da Receita regularmente. E o leão, faminto, fica muito manso quando está de barriga cheia. Fiquei sabendo e não posso confirma que a empresa não recolhia o ICMS, apenas pagava IR.

Historicamente, os casos de empresas que tiveram vida curta e se assemelhavam à pirâmide jamais tiveram intervenção direta de autoridades oficiais, simplesmente se esfacelaram pela própria dinâmica do mercado, como o caso do Madoff brasileiro, Fazendas Reunidas Boi Gordo (que também tinha uma personalidade recomendando o negócio, o Antonio Fagundes, lembram?), Avestruz Master, Mister Colibri, além de outras no ramos de telefonia, como a Telmax, Telextreme, 1Cellnet e Mix Phoneclub.

Considerações finais

Ainda afirmo que o plano de marketing da Telexfree não era sustentável. Enquanto tivesse uma remuneração exacerbada pela postagem de anúncios, a empresa poderia sim sofrer com insuficiência de fundos para pagar um número de divulgadores que se proliferava como Gremlins.

Contudo, todo esse imbróglio e por extensão ao próprio marketing multinível, poderia sim ser o início de uma discussão no sentido de se constituir um marco legal do marketing multinível no Brasil, delimitar o que pode e o que não pode, incluindo-se constituir um órgão regulador e fiscalizador deste mercado que está em franca expansão.

A telexfree vai devolver o dinheiro dos investidores? Talvez sim e talvez não. Existem muitos até hoje sem receber um tustão ou conseguiu rever o seu dinheiro.

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Uma Resposta

  1. Bruna

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